Uma nova ação civil pública do Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a Azul Linhas Aéreas revela preocupantes denúncias de assédio moral na unidade de Barueri, em São Paulo. O órgão está pedindo uma indenização de R$ 3 milhões por danos morais coletivos, além de exigir que a companhia implemente medidas efetivas para prevenir futuras ocorrências e proteger a saúde mental de seus funcionários.
As investigações foram desencadeadas por um inquérito civil aberto em 2024, após uma série de relatos que datam de 2021. Os trabalhadores denunciaram práticas abusivas, como cobranças excessivas e pressão psicológica, que se manifestaram em longas jornadas e exigências de trabalho fora do horário regular. A situação se agravou com novas queixas registradas em 2023 e 2024.
O procurador do Trabalho Gustavo Tenório Accioly destacou que, durante a investigação, que incluiu a análise de documentos e depoimentos de funcionários e ex-funcionários, foram identificadas práticas que ferem a dignidade dos trabalhadores. Funcionários foram cobrados até mesmo durante períodos de descanso, como férias e afastamentos médicos, o que, segundo o MPT, contribuiu para o adoecimento mental generalizado entre os empregados.
Os dados coletados durante a apuração revelaram um cenário alarmante: cobranças noturnas e nos fins de semana, metas inatingíveis e uma cultura de humilhação, onde gritos e exclusão de reuniões eram utilizados como formas de punição. Além disso, houve relatos de demissões de empregados que se atreveram a denunciar irregularidades ou que adoeceram devido à pressão excessiva.
Com base nas evidências, o MPT propõe não apenas a indenização, mas também medidas concretas para garantir um ambiente de trabalho saudável. Entre as solicitações estão o fortalecimento dos canais de denúncia, a criação de mecanismos de proteção contra retaliações e a capacitação contínua dos gestores, além de um monitoramento rigoroso dos riscos à saúde mental dos trabalhadores.
Crédito da imagem: Embraer E1 Azul Linhas Aéreas


