As tensões no Oriente Médio estão causando um impacto significativo no mercado global de petróleo, levando os preços a patamares que não eram vistos desde maio. O barril do petróleo Brent, por exemplo, ultrapassou a marca de US$ 110, o que acendeu alarmes entre os investidores sobre possíveis restrições na oferta mundial, exacerbadas pela incerteza em relação à capacidade da Rússia de fornecer diesel ao mercado internacional.
Nesta sexta-feira (16), os contratos futuros do Brent fecharam a US$ 109,86, representando um aumento de 3,7% em relação ao dia anterior. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 3,5%, alcançando US$ 101,41 por barril. Esta escalada nos preços sinaliza uma alta acumulada de 4,9% para o Brent e 10,4% para o WTI apenas nesta semana.
A consultoria Energy Aspects, em conversa com a Reuters, destacou que os preços voltaram a subir devido a temores de uma intensificação do conflito no Oriente Médio, especialmente após relatos de ataques possíveis à infraestrutura de energia da Arábia Saudita. Informações da imprensa israelense sugerem que o Irã estaria se preparando para ações militares, o que apenas alimenta a apreensão sobre novas interrupções no fornecimento de petróleo.
Em um episódio recente, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interceptou um míssil balístico direcionado à cidade de Yanbu, um porto crucial para o escoamento de petróleo. Apesar de fontes indicarem que não houve danos significativos na infraestrutura, o clima de incerteza persiste.
Além do Oriente Médio, a situação na Rússia também preocupa. A Ucrânia atacou uma refinaria russa, interrompendo a operação de uma unidade essencial para a produção de combustíveis. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, anunciou a suspensão de uma trégua que abrangia instalações de energia, criticando ainda a disposição de Donald Trump em negociar com Moscou.
A combinação dessas tensões internacionais tem levado investidores a buscar o petróleo como uma alternativa segura, de acordo com Dennis Kissler, vice-presidente da BOK Financial. Em resposta à crescente demanda e incertezas sobre a oferta, a Agência Internacional de Energia decidiu liberar mais de 20 milhões de barris no mercado, enquanto os Estados Unidos estão oferecendo até 17 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo. Essas medidas visam mitigar os impactos de possíveis interrupções no abastecimento e estabilizar o mercado.



