A eleição presidencial deste domingo (25/10) colocará em jogo não apenas o futuro político do Brasil, mas também a capacidade dos candidatos em enfrentar os desafios econômicos que assolam o país. Tanto Flávio Bolsonaro (PL) quanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm à frente um panorama econômico difícil, marcado por um elevado endividamento e um custo de vida que causa desconforto aos brasileiros.
Independentemente de quem vença, a nova gestão, que se iniciará em 5 de janeiro, terá que atender a pressões do mercado financeiro por um ajuste fiscal robusto e responder à insatisfação da população, que enfrenta um cenário de alta inflação e endividamento. Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, os planos apresentados até agora por ambos os candidatos ainda carecem de clareza e detalhes, e muitos acreditam que as soluções concretas só aparecerão após a eleição.
Um dos principais problemas a ser enfrentado será o desequilíbrio nas contas públicas. A dívida bruta do governo atingiu R$ 11,1 trilhões, correspondente a 82,9% do PIB, e cresce à medida que os gastos superam as receitas. Flávio Bolsonaro, por um lado, sugere cortes significativos nos gastos, incluindo a redução de ministérios e combate a supersalários. Contudo, suas promessas de manter aumentos reais no salário mínimo e não tocar em benefícios sociais geram incertezas sobre a viabilidade de seu plano.
Por outro lado, Lula apresenta uma visão mais voltada ao crescimento econômico e à ampliação da arrecadação, mas seu pacote eleitoral já implica em novas despesas que podem complicar ainda mais a situação fiscal. A economista Rafaela Vitória, do Banco Inter, destaca que a falta de propostas claras para o ajuste fiscal é um tema que ficou relegado ao pós-eleição, e os dois candidatos não apresentam soluções definitivas até o momento.
Outro obstáculo será o crescimento econômico, que deverá desacelerar nos próximos anos. Projeções apontam para um PIB crescendo apenas 1,32% em 2025, e isso pode ser ainda mais baixo em 2027, o que poderá impactar a popularidade do novo presidente logo no início de seu mandato. Flávio busca estimular a economia através de desregulamentação e incentivos ao setor privado, enquanto Lula foca em investimentos estatais e apoio a pequenas empresas.
Por fim, o custo de vida e o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras representam um desafio crítico. Ambas as campanhas trazem propostas para amenizar a situação, mas os economistas alertam que as medidas apresentadas são, em grande parte, soluções de curto prazo que não abordam as raízes estruturais dos problemas econômicos. A valorização da moeda e a redução dos juros são apontadas como ações necessárias, mas que dependem do equilíbrio das contas públicas e de reformas mais abrangentes.



