quarta-feira, 28/10/2026

A transformação das lojas físicas: como os brasileiros estão adaptando seus hábitos de compra na era digital

O panorama do varejo está em transformação, com novos hábitos de consumo moldando a dinâmica entre lojas físicas e o comércio eletrônico. De acordo com a pesquisa Radar Smollan, realizada em agosto, 76% dos…

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O panorama do varejo está em transformação, com novos hábitos de consumo moldando a dinâmica entre lojas físicas e o comércio eletrônico. De acordo com a pesquisa Radar Smollan, realizada em agosto, 76% dos consumidores entrevistados relataram que, após visualizar um produto em uma loja, optaram por finalizá-lo online. Esse comportamento, conhecido como “showrooming”, destaca um dos principais desafios enfrentados pelo varejo tradicional: como permanecer relevante em um cenário onde a comparação de preços se tornou uma tarefa simples e rápida para os consumidores?

As dificuldades financeiras que o comércio varejista enfrenta têm levado muitas empresas a reavaliar suas operações. Cortar custos, fechar unidades e investir em tecnologias mais eficientes tornaram-se estratégias comuns para contornar a crise. A mudança no comportamento do consumidor, que agora pesquisa e compara preços antes de realizar uma compra, é um fator crucial nessa reavaliação. O estudo da Smollan, que envolveu 1.828 entrevistas em 156 cidades, revela que o consumidor já chega às lojas mais informado e com uma decisão pré-definida, embora ainda influenciado por fatores como preço e experiência de compra.

Ainda que a pesquisa indique que 81% das pessoas buscam informações online antes de visitar uma loja física, a experiência de tocar e experimentar o produto continua a ser um motivador significativo para a visita. Na pesquisa, 46,1% dos entrevistados citaram essa experiência como uma razão importante para ir ao ponto de venda. Além disso, 29,2% dos consumidores destacaram a vantagem de sair da loja com o produto em mãos.

As preferências de compra variam amplamente entre categorias de produtos. Enquanto 93,4% dos consumidores preferem comprar carne em lojas físicas, no setor de eletrônicos, as opções estão mais equilibradas: 39,6% optam pela loja física, 39% alternam entre canais, e 22% preferem a compra online. Essa divisão demonstra que, embora a experiência presencial continue a ter seu valor, a escolha do canal de compra é determinada pelas necessidades específicas do consumidor.

Para Renato Vechiatto, COO da Smollan para a América Latina, os canais físico e digital não precisam competir. Em vez disso, as lojas devem oferecer experiências que não podem ser replicadas online, como atendimento personalizado e a avaliação direta dos produtos. Quando os preços não conseguem ser equiparados ao do comércio eletrônico, o varejista deve explorar outras opções, como facilidades de pagamento e complementos de produtos, que podem encorajar a finalização da compra.

O preço permanece um fator determinante na decisão de compra, conforme evidenciado por 77,7% dos entrevistados que o consideraram importante. Promoções e a disponibilidade do produto também são aspectos fundamentais que impactam a experiência do consumidor. Curiosamente, 27% dos participantes da pesquisa apontaram a falta de disponibilidade como um dos principais problemas das lojas, destacando a necessidade urgente de melhorar a gestão de estoque e a integração entre canais físicos e digitais.

As mudanças nos hábitos de consumo exigem que os varejistas não apenas ajustem suas operações, mas também repensem o papel das lojas físicas. Aluguel, custos operacionais e a necessidade de uma logística eficiente tornam a sobrevivência das lojas tradicionais um desafio. Contudo, essa não é uma sentença de morte para as lojas físicas, mas sim uma oportunidade para reinventar seu papel na jornada de compra do consumidor. Integrar as operações e oferecer uma experiência única pode ser a chave para manter a competitividade em um mercado cada vez mais digital.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — GPoulsen (pixabay)