sexta-feira, 06/11/2026

André Lara Rezende nega ter conversado com Lula e critica informações sobre sua suposta agenda.

O economista André Lara Resende, uma figura proeminente no debate econômico brasileiro, viu sua proposta de criação de um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) ganhar destaque após a divulgação de um artigo…

Compartilhe:

O economista André Lara Resende, uma figura proeminente no debate econômico brasileiro, viu sua proposta de criação de um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) ganhar destaque após a divulgação de um artigo em sua newsletter no Substack. Desde então, o assunto tornou-se um dos principais tópicos nas discussões sobre o futuro econômico do Brasil sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Resende, que já ocupou posições de relevância no Banco Central e no BNDES, defende que o verdadeiro problema das contas públicas brasileiras reside na taxa de juros elevada, e não nos gastos públicos, como muitos setores do mercado financeiro sustentam. Segundo ele, a elevada taxa de juros, que atualmente se mantém a 13,75% ao ano, é um fator que concentra renda e riqueza, beneficiando principalmente os detentores da dívida pública, que, em sua maioria, pertencem à elite econômica.

O economista argumenta que o déficit fiscal, que foi de 0,48% do PIB em 2025, não é resultado de gastos excessivos, mas do custo do serviço da dívida, que é amplamente impactado pela taxa de juros. Ele critica a visão predominante que atribui a responsabilidade fiscal apenas ao aumento dos gastos públicos, afirmando que a política fiscal precisa de aprimoramento, mas não é o cerne do problema.

A repercussão de seu artigo começou a se intensificar após a deputada federal Gleisi Hoffmann compartilhar suas ideias nas redes sociais, o que gerou especulações sobre uma possível aproximação entre Resende e o governo Lula. Contudo, ele se apressou em esclarecer que não teve contato com o presidente e que não busca uma posição no governo, sugerindo que as interpretações de sua proposta estão sendo manipuladas para criar divisões dentro da administração.

Resende propõe que o CFMN teria o papel de coordenar expectativas sobre políticas monetária e fiscal, estabelecendo metas de longo prazo. Para que isso ocorra, sua proposta precisaria ser aprovada pelo Congresso, uma vez que o Banco Central não tem autonomia para criar conselhos próprios. Apesar de ser elogiada por alguns, a ideia enfrentou críticas tanto do setor financeiro quanto de economistas mais alinhados à esquerda, que temem que a proposta possa levar à desvalorização da moeda e à fuga de capitais.

Ele se defende das críticas, afirmando que sua proposta não se trata de tabelamento dos juros, mas sim de um aperfeiçoamento institucional que permitiria uma política fiscal mais sustentável. Ao mesmo tempo, ele reconhece a resistência que sua ideia pode enfrentar, especialmente em um contexto de desconfiança institucional e pressões do mercado.

Com um olhar crítico sobre a relação entre a política fiscal e monetária, Resende acredita que o Brasil não enfrenta um problema de inflação, mas sim um de juros altos, que, se ajustados de forma coordenada, poderiam levar a uma economia mais equilibrada e sustentável. Ele conclui que, mesmo sem experiências anteriores conhecidas, sua proposta é uma tentativa de avançar o conhecimento econômico e buscar soluções para os desafios atuais do Brasil.

Crédito da imagem: Economista André Lara Resende