terça-feira, 03/11/2026

Fatores que tornam a tarifa de energia elétrica no Brasil superior à de nações com matriz energética similar

A conta de luz no Brasil se destaca como uma das mais onerosas do mundo, mesmo quando se considera a predominância de fontes renováveis na matriz energética nacional. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas,…

Compartilhe:

A conta de luz no Brasil se destaca como uma das mais onerosas do mundo, mesmo quando se considera a predominância de fontes renováveis na matriz energética nacional. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, encomendado pelo Centro de Liderança Pública, revela que a maior parte da fatura de energia não se refere ao custo da eletricidade em si, mas sim a encargos e tributos que compõem o valor total. Em uma mini cidade na Zona Norte do Rio de Janeiro, por exemplo, a conta mensal de energia de R$ 40 mil representa de 20% a 40% do custo total do condomínio, conforme explica o síndico Jorge Lima.

Embora o Brasil tenha uma matriz energética que se aproxima de 90% de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólica e solar, a conta de luz é impactada por diversos fatores que encarecem o serviço. A pesquisa aponta que apenas 30,4% do valor da conta se refere ao custo da energia, sendo que 26% são relativos à distribuição, 10% à transmissão, 15% a encargos setoriais e 18% a tributos.

As exigências para a compra de energia de termelétricas e a implementação do sistema de bandeiras tarifárias, que elevam os preços em períodos de seca, são outras razões que contribuem para a alta nos preços. Embora o Brasil não seja o país com a energia mais cara do mundo, os preços superam os de nações com perfis semelhantes, como Canadá e Noruega, que conseguem oferecer tarifas mais acessíveis.

O impacto dessa realidade não se restringe ao consumidor comum. Indústrias, como uma empresa de processamento de pescado que opera com temperatura de -25ºC, sentem o peso da conta de luz em seus orçamentos, tornando produtos mais caros e reduzindo a competitividade no mercado global. Para mitigar esses custos, a empresa investiu em energia solar e em tecnologias para otimizar o consumo, conseguindo reduzir em até 30% os gastos com eletricidade.

Os especialistas apontam que uma maior coordenação entre os diferentes níveis de governo poderia ajudar a reduzir as perdas na distribuição e transmissão, um problema que afeta o Brasil em comparação a outros países. Uma política pública que viabilizasse o uso eficiente da energia renovável poderia não apenas baratear os produtos, mas também fomentar o crescimento econômico, gerar empregos e aumentar a renda da população.