quarta-feira, 28/10/2026

Análise da Economia sob a Gestão Lula 3: Crescimento do PIB e Redução do Desemprego em Meio a Desafios com Juros e Dívidas

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026, conquistada com 51,79% dos votos válidos, ilustra um paradoxo intrigante: mesmo com a economia brasileira apresentando índices positivos,…

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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026, conquistada com 51,79% dos votos válidos, ilustra um paradoxo intrigante: mesmo com a economia brasileira apresentando índices positivos, a sensação de bem-estar financeiro permanece aquém das expectativas da população. O presidente, que já enfrentou Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas, vê-se agora diante de um eleitorado que, embora reconheça os avanços econômicos, não se sente plenamente beneficiado por eles.

Os dados são animadores. Durante o terceiro mandato de Lula, o Brasil vivenciou um crescimento econômico consistente, com a taxa de desemprego alcançando os menores níveis desde o início da série histórica e a renda média do trabalho aumentando. Contudo, economistas apontam que esses resultados não são uniformemente distribuídos entre a população. A desigualdade nas melhorias econômicas sugere que enquanto alguns setores prosperam, outros permanecem estagnados, refletindo uma realidade em que o crescimento do PIB não se traduz em melhoria geral de vida.

Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro da FGV/Ibre, ressalta que o crescimento econômico é uma média que oculta as disparidades entre diferentes setores. “É como se parte da população estivesse em um micro-ondas e outra parte estivesse no freezer. Os números podem parecer bons, mas a realidade é muito mais complicada”, explica.

Além disso, o comprometimento da renda com dívidas e a pressão do custo de vida limitam ainda mais o impacto positivo do crescimento. Em julho de 2026, as famílias destinaram quase 29% de sua renda mensal para pagamentos de dívidas, um reflexo do acúmulo de encargos financeiros. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) revela que a proporção de famílias endividadas subiu para 81,7%, com o cartão de crédito sendo a principal fonte de dívida.

O governo tem tentado mitigar essa situação com programas de renegociação de dívidas, como o “Desenrola”, mas especialistas alertam que isso não ataca as causas estruturais do endividamento. Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria, observa que, apesar de algumas iniciativas aliviarem o fardo no curto prazo, a falta de uma mudança nas condições de crédito e juros elevados mantém as famílias vulneráveis ao retorno das dívidas.

Além do endividamento, a política fiscal sob Lula enfrenta críticas acerca do controle das despesas. O déficit primário tem sido uma preocupação constante, atingindo R$ 228,5 bilhões em 2023, e a dívida bruta do governo já representa 82,9% do PIB. A pressão sobre os gastos públicos, combinada com a necessidade de ajustes na política monetária, contribui para um cenário de juros elevados, o que, por sua vez, impacta negativamente o consumo e os investimentos.

Embora haja um reconhecimento das medidas positivas, como a reforma tributária e a autonomia do Banco Central, a percepção popular ainda é marcada por uma polarização política que dificulta a avaliação objetiva do governo. A expectativa de uma rápida recuperação econômica, similar à dos primeiros mandatos de Lula, não se concretizou, resultando em frustração entre eleitores que ansiavam por uma prosperidade instantânea.

O cenário econômico atual, portanto, reflete uma complexa interação de fatores que vão além dos números. A polarização política e as novas dinâmicas sociais influenciam a maneira como os cidadãos percebem o governo e suas ações, criando um ambiente em que a avaliação das políticas públicas se entrelaça com a identificação política e as expectativas históricas.